A pescaria no Brasil não é feita apenas de anzol, vara e paciência. É feita também de histórias — os famosos “causos” que atravessam gerações e alimentam a alma do pescador. Mistura de realidade e exagero, essas narrativas fazem parte da identidade cultural das águas brasileiras.
Quem nunca ouviu falar do pescador que lutou com um Dourado de 15 kg por mais de uma hora, no Rio Paraná, e que jura ter saído com o braço doendo por três dias? Ou então do senhor Bento, do interior de Goiás, que toda semana conta que pegou uma Traíra com dente de cachorro, mas ninguém nunca viu a tal foto?
No Amazonas, há o lendário Pirarucu Fantasma. Dizem que aparece apenas nas noites de lua cheia, solta um som parecido com um suspiro e arrasta canoas pequenas com um simples bater de cauda. Pura lenda? Talvez. Mas quem vai duvidar com o som estranho vindo da água no escuro?
Na Bahia, um velho pescador de Itaparica jurava ter fisgado um Robalo com anzol de ouro na boca. Segundo ele, o peixe pertencia a um antigo comerciante que o criou em cativeiro e o soltou no mar como promessa religiosa. Real ou não, virou história repetida em toda feira de peixe.
Em Mato Grosso do Sul, um grupo de amigos pescava no Pantanal quando, segundo eles, um jacaré roubou o peixe da linha no exato momento da fisgada. O vídeo (meio borrado) até existe… e é passado de celular em celular como se fosse prova definitiva.
Esses causos não precisam de provas. Eles vivem no olhar brilhante de quem os conta. São como medalhas de honra da pesca, onde a verdade é só um detalhe, e a emoção é o que realmente importa.
Afinal, como dizem por aí: "se não exagerar, não é pescador."
